Palermo, nos últimos anos, tem andado mais presente à nossa atenção por motivos nada recomendáveis do que por este que aqui me faz escrever: a Cappella Palatina do Palazzo dei Normanni, exemplo consumado da arte cristã árabe-normanda.
Este templo, construído no fim da primeira metade do século XII, possui uma estrutura singela: uma longa nave central e duas laterais divididas por altos arcos ovais apoiados em colunas de granito muito simples sob uma cúpula vibrante com o seu Pantocrator clássico. Mas, de resto, nada mais é singelo. Desde logo, acima das colunas temos um prolongamento ricamente decorado que se junta a uma série de fabulosos mosaicos normando-bizantinos, que representam uma variedade riquíssima de cenas bíblicas, algumas das quais representando figuras clássicas de um modo único em toda a história da iconografia cristã
A cor dos mosaicos, e sobretudo o contraste entre negros e dourados, confere a todo o conjunto, repleto de imagens representadas com um soberbo realismo, uma profundidade e uma vivacidade fora do comum. O tecto em madeira não destoa deste conjunto que, com tanta facilidade, retira a respiração a quem o vê pela primeira vez. Trabalhado em nichos que sugerem estalactites, está totalmente pintado de histórias bíblicas e de cenas da vida das cortes árabes e normandas que foram, sucessivamente, os donos do palácio onde esta capela de encontra: caça a animais, espectáculos circenses, danças cortesãs e até um género de picnic. Por fim, apenas uma outra referência: o candelabro pascal do século XII coberto de figuras, animais selvagens e surpreendentes folhas de arbustos selvagens.



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