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quarta-feira, 12 de outubro de 2011

O medo do silêncio

Sabemos muitíssimo bem que o progresso tecnológico, em especial nas áreas dos transportes e comunicações, fizeram as nossas vidas mais confortáveis. Isso é totalmente inegável. Mas também fez as mesmas mais obstipadas e frenéticas. As nossas cidades maiores, e até menores, são um corrupio de barulho de onde o silêncio parece ter fugido. O desenvolvimento dos media e da NET fez-nos mais próximos de todos. Mas apenas virtualmente: sabemos, da manhã à noite, o que se passa do outro lado do mundo, mas  ignoramos o nome de quem vive ao nosso lado.

Já há quem apenas consiga funcionar se estiver imerso em "música" -- se é que se pode chamar "música" a algumas das formas actuais de juntar sons -- e imagens pois a ausência destas desperta em si o medo do vazio. É como se uma dúvida os assistisse: Existirei se não ouvir mais nada senão a meu respirar? Junto com esta fobia do silêncio, vem a fobia da solidão -- mais "soledad" do que isolamento --.

Mas este contexto esvaziante e anestesiante do nosso silêncio interior já passou, por quem não sabe o que está a fazer a longo prazo, a ser um leitmotif do modo de ser crente nos nossos dias e, assim, encontramos quem só consegue rezar se uma musiquinha ou um textinho estiver a ser debitado nos seus ouvidos à medida que caminham no meio de estímulos visuais. Isto, deve-se arriscar a dizer mesmo que se pareça demodé, é um drama. Uma tragédia. De facto, quer o silêncio, quer a solidão, são, na sua vertente exterior e interior, o esteio da solidez espiritual. Só neles nos exprimimos na nossa nudez que acolhe a carinhosa roupagem comunicada pelo nosso Criador.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Livros (1) | Peter J. Kreeft - Back to Virtue

Começamos hoje uma rubrica que gostaria que tivesse uma certa continuidade nos próximos tempos: a apresentação, a breve apresentação para ser mas correcto, de alguns livros que acreditamos serem relevantes e edificantes para os nossos desafiantes dias.


E para início da mesma passamos a falar de Peter J. Kreeft - Back to Virtue. Trata-se de um pequeno livro editado pela Ignatius Press no já relativamente distante ano de 1990. O autor, depois de ter saído do Calvinismo para entrar na Igreja Católica no início da sua terceira dezena de anos, passou a ser, quer enquanto professor de filosofia em Boston e New York, quer enquanto autor de livros, um dos mais corajosos arautos das implicações filosóficas, teológicas e espirituais de Deus ser Amor.

Neste livro o autor, recuperando, através de referências sempre pertinentes aos Padres da Igreja e a filósofos modernos e contemporâneos, o tema vetusto das "virtudes", apresenta um mapa para as mais elevadas formas de vida Cristã, e assim humana, seja na sua dimensão interior, seja na sua dimensão exterior, para, desse modo, se operar a conversão da lógica infantil do "conformar a realidade aos nossos apeteceres" para a madura lógica do "conformar os nossos desejos com o que nos faz real e objectivamente melhores".