O Cristão, disse outrora Carlo Maria Martini, está chamado a cultivar, na sua vida, a virtude da coragem. Sem dúvida. Mas não apenas a coragem de se interrogar sobre as realidades da natureza humana, mas também a de ousar arriscar a ser verdadeiramente livre para caminhar alicerçando-se na verdade, na justiça, no estudo sério e qualificado do conteúdo da sua fé, na amizade fiel e respeitosa.
Renunciar ao desejo de possuir, em todos os domínios, renunciar à cobiça dos olhos e dos sentidos, à aspiração aos lugares cimeiros onde os olhos do "mundo" repousam, são atitudes que devem estar assentes numa resposta generosa ao amor primeiro de Deus. Ou seja: à oferta de Deus, à sua Palavra, às necessidades dos próximos que nos rodeiam e a quem é necessário dar as mãos.
Eis a coragem que abre o coração e lhe dá a capacidade de compreender que viver não significa apenas o "ir", mas o consentir a ser "chamado e enviado". De facto viver não significa responder à questão "o que é que me dará prazer?", mas amar e escolher o que agrada a Deus, o que é bom, belo, justo e verdadeiro. Será, então, que vivemos?

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