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domingo, 2 de outubro de 2011

Qual humanismo no humanismo?

Desde há anos a esta parte um crescentemente aguerrido movimento "humanista" tem tentado, com grande azafama, denegrir a imagem dos crentes Cristãos mediante o ridicularizar da nossa fé. Fazem-no geralmente através da citação, fora do seu contexto histórico, textual e teológico, de micro-textos que, depois, interpretam de uma forma mecânica, fundamentalista e literal. Mas será que eles são genuínos humanistas ou hábeis manipuladores cheios de falsas pestanas verbais? Vejamos.

Desde logo eles rapidamente violam as suas próprias noções "humanistas" ao não mostrarem qualquer respeito humano pelas convicções dos seus oponentes. Isto, é evidente, de humano nada tem. A seguir consideram possuir o exclusivo da racionalidade, como se os Cristãos fossem pessoas desprovidas de sentido crítico ou, até, de razão e, assim, os únicos responsáveis por tudo o que de mal existe no planeta. Mais uma vez: de humano isto não tem nada.

Depois usam, nas suas pueris argumentações, mais tácticas de retórica bombástica do que a lógica e o pensamento justo e rigoroso. Onde está o humano aqui? Por seu lado, ao rejeitarem o conhecimento "pelo testemunho", estão a recusar admitir uma evidência por demais clara: a maior parte do nosso conhecimento humano vem... do testemunho. Nenhum de nós pôde, ou pode, ou poderá verificar se Colombo chegou às Américas em 1492. Isso está presente nos livros de História, mas só acreditamos em tal por um acto de adesão ao que nos dizem. Se negarmos esta via de acesso à verdade, ficar-nos-á algum humanismo verdadeiro?

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Livros (4) | Carmine Di Sante - L'uomo alla presenza di Dio

Carmine Di Sante é um dos mais fascinantes teólogos da actualidade. Especializado em Liturgia e Psicologia em distintas universidades de Roma, soube introduzir, como poucos, uma lufada de ar fresco nos estudos bíblicos contemporâneos elevando-os a um patamar em que a acessibilidade e a profundidade conjugam-se harmoniosamente num suceder, em cada página dos seus ensaios, de surpresa e encanto.

 
No texto que aqui apresento, L'uomo alla presenza di Dio: l'umanesimo biblico, o autor, regressando ao texto fundamental de Martin Heidegger apelidado de "Carta sobre o humanismo", procura, a partir da perspectiva antropológica bíblica, responder a questões tão normativas e essenciais como "o que é o homem?"; "em que consiste a sua humanidade?". E fá-lo com uma enorme graciosidade alicerçando as suas respostas nas categorias bíblicas essenciais de "aliança" e Incarnação" que fazem com que aquelas sejam absolutamente irredutíveis dentro da panóplia de opiniões sobre "o que é ser homem".
 
Num enquadramento epocal em que a humanidade parece estar a dissolver-se num relativismo selvagem em que a subjectividade imatura de cada tende a querer impor-se como a norma absoluta da sua existência e, mais grave ainda, da dos outros, Di Santi mostra que a Bíblia guarda o segredo de como a Alteridade, que vem até nós na alteridade relacional e incarnacional do outro, chama à constituição de uma humanidade hospitaleira e fraterna. Só assim, pela educação da vontade humana que se depara com uma lógica de amor que a precede, a humanização não se converte numa desumanização.