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quinta-feira, 7 de outubro de 2010

O valor da diminuição

Apenas algumas palavras a partir da perspectiva da Igreja Católica que irão, talvez, contra o pensamento comum acerca dos exames pré-natais tão em voga nos dias de hoje. Mas antes algumas notas mais abrangentes: 1) toda a ciência é, por si mesma, neutra do ponto de vista da fé: só o uso concreto da mesma pode ter um mais positivo ou negativo peso moral; 2) os limites morais apontados pela Igreja devem ser aceites com liberdade do mesmo modo que se aceita a advertência a não se atirar sem protecção de um prédio de 20 andares, caso contrário poderão ser mais prejudiciais do que positivos.

Dito isto, aqui ficam aquelas palavras: a) toda a vida humana com um maior ou menor grau de consciência, ou com potencial para se o vir a tornar, tem valor e valor infinito; b) ninguém deve ser obrigado, por pessoal médico, a tomar decisões capitais num espaço de 2 ou 3 dias; c) lembrar, sempre, que aqueles diagnósticos, apesar de tudo, não são 100% certos; d) as diminuições nunca são tão terríveis quão nós, no nosso mundo insistente no ultra-perfeccionismo, pensamos a quente; e) para quem tem fé Cristã, elas também devem ser ponderadas a partir das mais básicas verdades Cristãs e não apenas da perspectiva mundana que repudia totalmente a ocorrência central do Cristianismo: a Cruz de amor; f) as diminuições nunca são questões de "ou tudo ou nada"; g) a vida, enfim, não é sempre o que parece e, como aquela Cruz mostra, Deus tem uma predilecção absoluta por aqueles a quem o mundo despreza... estamos por este ou por aqueles?

sábado, 2 de outubro de 2010

Ah... é isso a ciência...

Viramos a página de qualquer jornal, ou saltamos desta para aquela estação televisiva e ali temos a ciência a ser exultada sem que se considere o facto de que ela apenas pode falar sobre o que é material e mensurável e, assim, não apresenta senão uma visão parcial da realidade. Há imensas coisas que não podem ser medidas e são inequivocamente reais com efeitos absolutamente visíveis: a simpatia, a disponibilidade, a humildade, a justiça, etc. Jamais a ciência os poderá pôr numa balança ou numa pipeta graduada por mais sensíveis que estas sejam.

O mesmo se passa com Deus: a sua "existência" está mais além da esfera da ciência e não o podemos ver em si, embora, como Cristãos, creiamos que podemos experimentar os efeitos da sua "existência". Mas sejamos honestos: isso não prova, por si só, a realidade do Deus Cristão, mas apenas a realidade de um Ser transcendente. Do mesmo modo a ciência, se desejar ser honesta com o que é, não pode efectuar pronunciamentos que vão mais além do seu âmbito de competências como, por exemplo, sobre a "existência," ou não, de Deus.

Claro que a pessoa que é um cientista pode fazer tais asseverações, mas não mais a partir da sua dimensão de cientista, mas de filósofo ou teólogo. Mas será competente para o fazer? A maior parte das vezes não, mas o consumidor comum de noticias avulsas não se apercebe desse facto e, assim, acolhe acriticamente aquelas afirmações, desprovidas de consistência, unicamente por serem emitidas por "cientistas de renome". E isso é verdadeiramente preocupante, pois acabamos por criar uma cosmovisão amputada da realidade.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Livros (5) | Robert J. Spitzer - New Proofs for the Existence of God

Hoje deixo aqui, com entusiasmo, um livro recente de Robert J. Spitzer chamado New Proofs for the Existence of God: Contributions of Contemporary Physics and Philosophy. Num contexto de uma crescente popularidade de certos livros escritos por gurus do agnosticismo e ateísmo, esta obra trata-se de uma patente demonstração, que aqueles desejam sistematicamente ignorar, de todas as evidências que se avolumam, a partir dos dados da própria ciência, para a existência de um Deus Criador.


Desde a assimetria universal do espaço-tempo às coincidências, nada prováveis, do leque das constantes cósmicas, o autor, um sacerdote da Companhia de Jesus, redige uma obra de leitura surpreendentemente agradável, sem nunca incorrer na tentação de arguir que o que refere é de uma evidência apodíctica, antes dizendo, com a humildade que a ciência exige, que tudo o que apresenta indicia mais a existência de um ser transcendente do que a sua inexistência. Recorrendo também ao contributo epistemológico de Bernard Lonergan, a obra apresenta uma fundação muito boa para a construção de uma estrutura intelectual para conseguir, na sequência da Encíclica “Fides et Ratio” de João Paulo II, fazer avançar o diálogo entre a Fé e a Ciência.

Recorrendo ao método socrático e uma panóplia de metáforas que simplificam, no bom sentido, a sua exposição, o autor elabora uma nuvem bastante elegante e convincente de argumentos lógicos para aquele apontar para a existência de um Criador. Mesmo nas ocasiões em que a sua exposição se torna mais académica, a sua linguagem logra ser acessível a quem não é cientista nem filósofo.