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sexta-feira, 8 de outubro de 2010

O pequenino rebanho

O tempo de uma Igreja de massas mais numerosas do que formadas já lá vai para, felizmente em minha opinião, não mais regressar. Estamos na madrugada do assumir-se, de novo e tal como no início do Cristianismo, do "pequenino rebanho" de que falava com emoção Jesus. Se a Igreja recebeu o mandato de evangelizar todo o mundo, esta realidade pode parecer contrastante com o sadio desejo de, por norma, se querer aumentar o número daqueles que aceitam Jesus como seu Deus e Senhor de amor, mas isso é apenas aparente sobretudo se estivermos, também pelo que tem dolorosamente acontecido nos últimos tempos, a ficar mais puros e verdadeiros num mundo que está a ficar, voluntariamente, mais afastado de Deus.

Na realidade a popularidade tem sempre um preço demasiado caro a ser pago e, assim, uma Igreja que apenas pensa em ser atractiva a todo o custo está no caminho errado. Por outro lado Cristo não nos prometeu uma fecundidade fácil, mas apenas aquela que advém pelo perecer na terra de um mundo infantilizado que nos odeia por sermos faróis de uma verdade que lhe custa a admitir. Desse modo, devemos cansar-nos a anunciar o Amor, mas aceitar que muitos, senão quase todos, recusem esse mesmo Amor, preferindo amorzinhos domesticados dele sucedâneos. Há, então, que conjugar o empenho e a aceitação do eventual fracasso, mas jamais confundir o "poucos, mas puros" com um "dolce fare niente" acomodado.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

O percurso menos trilhado

Qual é o percurso menos trilhado? A resposta é simples: o do amor. Todos queremos correr e chegar mais cedo do que os demais a qualquer meta a que nos propomos. Mas, no caminho do amor, ou chegamos todos juntos ou não chega ninguém à meta comum. Somos todos membros de um mesmo corpo, de um corpo que já viu a sua Cabeça humano-divina nascer para Deus, mas que tem, ainda, o resto do corpo em trabalho de parto. E queremos apreçar o nascimento mesmo que não estejamos preparados para viver a respirar no âmbito de uma atmosfera toda ela feita de Amor.
 
Somos, neste processo, apertados por um mundo de onde nascemos e do qual herdamos traços característicos que, embora devamos continuar a carregar, devemos, igualmente, superar. E superar com determinação corajosa de modo a passarmos de uma existência que nos é imputada, para outra que assumimos livremente. Eis, de novo, o caminho menos percorrido: o do amor que só existe onde existe liberdade real e efectiva.

E a liberdade é uma realidade corporativa: ninguém é livre por si só ou de costas voltadas para os demais, isto é, independentemente da liberdade destes. Só somos livres onde, e quando, os demais também o forem. E no meio daquela pressa raramente damos tempo a estes e, por conseguinte, estatelamo-nos na vida e boicotamos o nosso desejo de atingirmos a nossa última meta, a única que pode, por desejo antecipativo, iluminar e burilar as demais metas provisórias que determinam as nossas opções e atitudes.