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terça-feira, 5 de outubro de 2010

O percurso menos trilhado

Qual é o percurso menos trilhado? A resposta é simples: o do amor. Todos queremos correr e chegar mais cedo do que os demais a qualquer meta a que nos propomos. Mas, no caminho do amor, ou chegamos todos juntos ou não chega ninguém à meta comum. Somos todos membros de um mesmo corpo, de um corpo que já viu a sua Cabeça humano-divina nascer para Deus, mas que tem, ainda, o resto do corpo em trabalho de parto. E queremos apreçar o nascimento mesmo que não estejamos preparados para viver a respirar no âmbito de uma atmosfera toda ela feita de Amor.
 
Somos, neste processo, apertados por um mundo de onde nascemos e do qual herdamos traços característicos que, embora devamos continuar a carregar, devemos, igualmente, superar. E superar com determinação corajosa de modo a passarmos de uma existência que nos é imputada, para outra que assumimos livremente. Eis, de novo, o caminho menos percorrido: o do amor que só existe onde existe liberdade real e efectiva.

E a liberdade é uma realidade corporativa: ninguém é livre por si só ou de costas voltadas para os demais, isto é, independentemente da liberdade destes. Só somos livres onde, e quando, os demais também o forem. E no meio daquela pressa raramente damos tempo a estes e, por conseguinte, estatelamo-nos na vida e boicotamos o nosso desejo de atingirmos a nossa última meta, a única que pode, por desejo antecipativo, iluminar e burilar as demais metas provisórias que determinam as nossas opções e atitudes.

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