Falava-se, há uns anos, da ideia de "cristãos anónimos", isto é, de pessoas que, sem conhecerem Jesus Cristo e a sua mensagem, agiam verdadeiramente de acordo dos valores Cristãos. Talvez não seja totalmente descabido pensar que existem pessoas assim. Mas talvez fosse de se evitar tal denominação para os descrever e reservá-la para aqueles de entre nós, Cristãos, que receamos mostrar-nos e assumir-nos, com todas as consequências daí derivadas, como seguidores de Cristo no espaço público.
Ser Cristão na comodidade do lar e da consciência é relativamente fácil, mas trata-se de algo que não abraça todas as esferas da existência pessoal. Assim cria uma alienígena separação artificial - que até serão saudáveis noutras esferas de actividade - entre o privado e o público que leva a que como que desaparecêssemos da sociedade. Se isso já é uma realidade penosa em todas as circunstâncias, mais o é numa altura como a nossa em que a sociedade precisa de ser, mais uma vez, de ser suportada, desde dentro, pelos valores que erguem a humanidade à sua real dignidade.No fundo, estou a crer que tal deve-se a uma de diversas razões: (a) receio de se ser tido como antiquado, como se a mensagem Cristã fosse uma espécie de fóssil jurássico inapropriado para os nosso dias; (b) impreparação para dar, aos demais, as razões da nossa opção vital por Cristo; (c) receio de perder estatuto e relevância numa sociedade cada vez mais crítica de alguns comportamentos, sejam eles expressão ou não do verdadeiro Cristianismo, que são, justa ou injustamente, criticados com aversão viperina. Em qualquer um dos casos tratam-se de motivos que negam, ao serem alimentados consciente ou inconscientemente, os dois esteios do agir Cristão: o anunciar e o denunciar.
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