Daquilo que é ridículo e cómico podemos e devemos rir de um modo genuíno. Mas somente consegue fazer isto aquele que não adapta tudo a si, aquele que está liberto de si e que, tal como Jesus Cristo, consegue simpatizar com tudo o que é simpatizável, ou seja, aquele que possui uma misteriosa simpatia com todos e com tudo, e diante de quem todas as pessoas podem ter a oportunidade de dizerem aquilo que pensam. Mas somente a pessoa que ama possui esta simpatia, e assim, consegue rir de um modo verdadeiro.Rir, neste sentido, pode ser uma espécie de exercício espiritual para a nossa humanização, aquela que vê o valor das coisas pequenas, aquelas que tocam o trivial na nossa existência mas sem as estimarmos como superficiais. O riso verdadeiro mostra, ao contrário da falsa risada amarela que vemos tão frequentemente nos especialistas em promover a própria imagem, que se está de boa relação com a realidade e que, com esse simples gesto espiritual, se está disposto a dizer "Amen" a todas as circunstâncias da vida, sobretudo aquelas que, não havendo sido escolhidas, são inalteráveis.
Rir liberta a nossa condição para deixar a realidade entrar naquela e cristifica os condicionalismos tornando-os eventos aceitados. Mas o mais frequente é que nos ponhamos a rir de um modo distinto deste e, assim, confundamos a alegria Cristã com uma forma espalhafatosa de existência. E desse modo perdemos a atenção ao que, sendo realmente risível, nos faz mais humanos.
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