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sexta-feira, 1 de outubro de 2010

A invisibilidade do milagre

Também nós estamos sempre à espera de milagres. De milagres que dêem, se tal fosse possível, segurança à nossa fé. Desconhecedores que somos, frequentemente, dos motivos para a termos, preferiríamos sinais ostensivos que nos tirassem todas as dúvidas, à humilde e discreta presença do verdadeiro milagre que nos envolve a todo o momento. Mas será que paramos para pensar nisto? Será que paramos para constatar que a alternativa, no fundo, é entre a liberdade e a segurança psicológica? Provavelmente não, mas o mais estranho é que sinto que não poucos de nós acabaríamos, insensatamente, por preferir esta àquela.

Do mesmo modo, existe uma segunda alternativa: entre um Deus que é Amor e um Deus que é um tirano. Se Deus é Amor a sua acção não pode ser senão humilde e discreta, também para nos possibilitar uma existência em plena liberdade. Só se Deus fosse semelhante a um déspota medieval, ou a um qualquer político contemporâneo, sempre preocupado em ter satélites ao seu redor para deles retirar benefícios para si, é que a sua acção seria uma contínua campanha de marketing que aprisionaria toda a beleza.

O maior milagre que existe é, desse modo, o da continuamente subtil presença, em cada instante e local e com plena pureza, de Deus à sua criação. Mas para sermos capazes de constatar tal facto devemos sair do zapping comercial e sintonizar a nossa "powerbox" para a frequência de Deus: a do amor que suscita liberdade e desejo de dar, e não de receber, benefícios.

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