O tempo de uma Igreja de massas mais numerosas do que formadas já lá vai para, felizmente em minha opinião, não mais regressar. Estamos na madrugada do assumir-se, de novo e tal como no início do Cristianismo, do "pequenino rebanho" de que falava com emoção Jesus. Se a Igreja recebeu o mandato de evangelizar todo o mundo, esta realidade pode parecer contrastante com o sadio desejo de, por norma, se querer aumentar o número daqueles que aceitam Jesus como seu Deus e Senhor de amor, mas isso é apenas aparente sobretudo se estivermos, também pelo que tem dolorosamente acontecido nos últimos tempos, a ficar mais puros e verdadeiros num mundo que está a ficar, voluntariamente, mais afastado de Deus.Na realidade a popularidade tem sempre um preço demasiado caro a ser pago e, assim, uma Igreja que apenas pensa em ser atractiva a todo o custo está no caminho errado. Por outro lado Cristo não nos prometeu uma fecundidade fácil, mas apenas aquela que advém pelo perecer na terra de um mundo infantilizado que nos odeia por sermos faróis de uma verdade que lhe custa a admitir. Desse modo, devemos cansar-nos a anunciar o Amor, mas aceitar que muitos, senão quase todos, recusem esse mesmo Amor, preferindo amorzinhos domesticados dele sucedâneos. Há, então, que conjugar o empenho e a aceitação do eventual fracasso, mas jamais confundir o "poucos, mas puros" com um "dolce fare niente" acomodado.
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