Pesquisar neste blogue

domingo, 3 de outubro de 2010

A luz da sombra

Há quem imagine o Antigo Testamento (A.T.) como uma espécie de sombra que atemoriza tudo, e todos, excepto se a sua obscuridade for engarrafada pelo recurso a passagens iluminadoras retiradas do Novo Testamento (N.T.). Em certo sentido estou de acordo com eles, pois o A.T. é o começo da narração religiosa judaico-cristã da obscuridade humana, da penumbra da alma de uma humanidade que  obscurece se se afastar de Deus.

Mas  não penso que a luz esteja apenas no N.T.: acredito, com efeito, que o A.T. é igualmente o começo da narração do brilho. Ele projecta-o no caminho d'Aquele que faria sua aquela realidade para, desde dentro, dar-Se como caminho para dela a humanidade sair. Desse modo, o A.T. é essencial para se compreender a mensagem d'Este que, no fundo, não é senão um aperfeiçoar da daquele mediante uma interpretação em chave de Amor.

Uma analogia muito prosaica com esta realidade é facilmente apresentada. Todos gostamos de conhecer a história da própria família. Conhecer, de algum modo, os ditos e feitos dos nossos antepassados, nas suas zonas de luz e sombra, é reconhecer-se a si mesmo de um outro modo. De uma forma que lança lastro numa série de partilhas de vida que nos antecedem e que, assim, são verdadeiras raízes do nosso ser. Do mesmo modo, ignorar o A.T. é ignorar o N.T. e, assim, ignorar o que é ser Cristão.

Sem comentários: