Todos já nos deparámos com pessoas que, estando a passar momentos difíceis, se ressentiam por Deus, aparentemente, estar a dizer "não" ou "espera". Eu mesmo por vezes penso o mesmo. Pedir não está errado e a Bíblia diz-nos que há coisas que não temos porque não pedimos (Tiago 4,2). O problema está em se pensar que se sabe o que é melhor para nós e para os demais. Mas a Bíblia também nos diz claramente que nós não sabemos o que solicitar na oração (Romanos 8,26). Ou melhor: bem no fundo até o sabemos, mas não o desejamos admitir. Sabemos que só o amor nos sacia e só ele está garantido de nos ser dado por Deus, pois Ele é Amor. Contudo preferimos sonhar com remendos imediatos que, se nos fossem dados, apenas iriam alimentar o nosso egoísmo, a fonte da nossa tendência para nos afastarmos do bem, da verdade, do belo; em síntese: do amor.
Assim podemos compreender que o desfecho por nós desejado de um pedido a Deus não é necessariamente o melhor desfecho para nós. E admitir isto deve levar a que, quando rezamos, devemos ser incrivelmente humildes. De facto, vemos apenas uma porção pequena do todo e conhecemos ainda menos, donde devemos reconhecer que o essencial na oração não é que Deus faça a nossa vontade, mas que por ela tentemos perceber qual é a vontade de Deus para a integrar na nossa vida.
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