Cada vez mais estamos a adormecer diante da avalanche de palavras e slogans desprovidos de conteúdo daqueles que se dizem pela defesa dos valores humanos. É que estes, em nome de uma falsa noção de "homem", estão a enveredar por uma cultura do relativismo antropológico em que o que é "homem" aqui pode não ser "homem" ali. Com efeito, começa-se a admitir que se deve ser sempre compreensivo com aqueles que, aproveitando-se da inanidade que decorre da fragmentação dos esteios do Ocidente judaico-cristão, postulam os mais abjectos atentados aos direitos da humanidade.
Aqueles defensores de uma axiologia flutuante, sem quererem aperceber-se que isso é um dos primeiros passos para um suicídio em massa, vergam-se continuamente às exigências deste últimos e abdicam de apontar o que nestes é uma manifestação de práticas que não podem ser consideradas senão como bárbaras. Nada de ferir as sensibilidades, nada de dizer algo que possa ser considerado ofensivo, nada de apontar os dedos a práticas fundadas em supostas convicções religiosas, nada de defender o que se acredita se isso puder levar a incompreensões. O problema-base disto tudo é que o que é um ser humano ou o é em todos os quadrantes ou não o é em nenhum. Por outras palavras: enquanto uns ovos forem postos num cesto que se deseja representativo de todos e outros voluntariamente noutro que não aquele, não haverá, jamais, a possibilidade de se fazer uma omelete comum.
Mas disto não se fala, disto não se quer falar e os poucos que o tentam fazer são, rapidamente, apelidados de racistas, xenófobos, intolerantes, etc. Mas dizer a verdade sobre outrem não é, jamais, um ataque a este outro: é, isso sim, um gesto de amor para com este. Com efeito, é por genuíno amor àqueles que, muitas vezes sem opção, nem alternativa de vida, estão submetidos aos mais tétricos contextos sociais que estes devem ser denunciados sem medo de se estar, ou não, a cair nas graças dos demais. Por outro lado, deve ser igualmente dito, que é por amor à humanidade que não se pode cair na tentação de deixar baixar os braços e abdicar de proclamar que ou todos têm os mesmos valores de base ou estes valores não têm valor. E isto é, precisamente, o que aqueles referidos grupos populistas de defesa dos valores humanos, mas que só se vêem quando é para atacar o berço em que nasceram e defenderem aqueles que o querem destruir, mais desejam.


2 comentários:
Está a referir-se ao Islão? Mas não crêem os muçulmanos no mesmo Deus que os cristãos? Qual o motivo desta aparente contradição?
Boa noite Carlos. Chegou lá por si, não é verdade? Uma palavra bastou e isso é significativo, não é verdade? Por outro lado não penso que, no mínimo, a compreensão Cristã de Deus seja compaginável com a islâmica: os Cristãos acreditam num Deus que é Amor e que se relaciona connosco como um Pai próximo e atencioso; os maometanos entendem-se a si mesmos como sendo escravos de um ser que não se relaciona com a criação.
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