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sábado, 25 de setembro de 2010

Actualidades (1) | A coerência do discurso

Passados 15 dias após a criação deste blog, inicio hoje uma nova secção: a de breves comentários directamente relacionados com temas, assuntos ou eventos que têm tido uma relevância significativa nos últimos tempos que precedem estas considerações. E hoje gostaria de aqui deixar umas palavras sobre aquilo que chamo de "a coerência do discurso", que é uma das maiores forças humanas, morais e espirituais do Cristianismo, da Igreja Católica e de Bento XVI em particular.


Para que um dado discurso sobre dada realidade seja em si mesmo portador de verdade e objectividade intrínseca, o mesmo deve ser dito diante de quem quer que seja que esteja a provocar tal realidade. Por outras palavras e de um modo esquemático: se um sujeito chamado, digamos X, faz A, e um outro sujeito, agora de nome Y, faz o mesmo A, para que uma afirmação sobre X relacionada com A tenha consistência e deva ser escutada, a mesma afirmação deve estar disposta a ser efectivamente feita sobre Y relacionada com A. Caso contrário o que se faz não é senão o destilar de uma aversão primitiva, incoerente, injustificada, imatura e oportunista.

Tem sido isso o que tem ocorrido, por exemplo mas não só, com o drama imensamente doloroso da existência de pessoas pedófilas na Igreja Católica. Todos sabem que este é um problema absolutamente transversal à sociedade e que, quer se queira quer não, os caos relacionados com a Igreja Católica são uma gota num oceano. Contudo mesmo assim, uma série imensa de  órgãos de comunicação social e de intelectuais agnósticos, ateus e até nominalmente Cristãos, que aos olhos de muitos já parecem um desfile de crianças ressabiadas por não poderem (continuar a) ser os "donos da quinta", têm dirigido a sua verve apenas contra aquela, não se mostrando tão prolixos em palavras com outras religiões - cujo nome aqui é dispensável pois são tamanhas as evidências - que no seu léxico interno e externo desconhecem, por o desconhecerem igualmente as suas fontes humanas e textuais ortodoxas, aquilo que faz da Igreja um alvo tão apetecível: a humildade, a paciência e, sobretudo, a caridade. Eis porque, recentemente, o próprio filósofo ateu Bernard-Henri Lévy disse que o catolicismo é a religião menos tolerada na Europa. As evidências a esse respeito já não são ignoráveis.
 

A recente visita de Bento XVI ao Reino Unido - e a imagem acima mostra a celebração eucarística na Catedral de Westminster - mostraram-nas mais uma vez. Deste modo, críticas como aquelas que têm sido dirigidas de um modo parcial e não homogéneo, apesar de deverem ser ouvidas, não devem ser vistas como mais do que, de facto, são: um testemunho gritante de uma incoerência do discurso que apenas revela uma incongruência e desonestidade nos argumentos e raciocínios que presidem a este.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Livros (5) | Robert J. Spitzer - New Proofs for the Existence of God

Hoje deixo aqui, com entusiasmo, um livro recente de Robert J. Spitzer chamado New Proofs for the Existence of God: Contributions of Contemporary Physics and Philosophy. Num contexto de uma crescente popularidade de certos livros escritos por gurus do agnosticismo e ateísmo, esta obra trata-se de uma patente demonstração, que aqueles desejam sistematicamente ignorar, de todas as evidências que se avolumam, a partir dos dados da própria ciência, para a existência de um Deus Criador.


Desde a assimetria universal do espaço-tempo às coincidências, nada prováveis, do leque das constantes cósmicas, o autor, um sacerdote da Companhia de Jesus, redige uma obra de leitura surpreendentemente agradável, sem nunca incorrer na tentação de arguir que o que refere é de uma evidência apodíctica, antes dizendo, com a humildade que a ciência exige, que tudo o que apresenta indicia mais a existência de um ser transcendente do que a sua inexistência. Recorrendo também ao contributo epistemológico de Bernard Lonergan, a obra apresenta uma fundação muito boa para a construção de uma estrutura intelectual para conseguir, na sequência da Encíclica “Fides et Ratio” de João Paulo II, fazer avançar o diálogo entre a Fé e a Ciência.

Recorrendo ao método socrático e uma panóplia de metáforas que simplificam, no bom sentido, a sua exposição, o autor elabora uma nuvem bastante elegante e convincente de argumentos lógicos para aquele apontar para a existência de um Criador. Mesmo nas ocasiões em que a sua exposição se torna mais académica, a sua linguagem logra ser acessível a quem não é cientista nem filósofo.