Daniel Faria. Ponto parágrafo. Palavras para quê? É um poeta português com certeza. Já visitou este blog no passado, mas não se pode resistir à grandeza da humildade ofuscada por aqueles enormes óculos baços que o faziam ver o clarão de Deus na natureza que não podia controlar. Aqui fica Do Livro dos Actos dos Apóstolos.
Do Livro dos Actos dos Apóstolos
A luz de Damasco é um grito
Para a ovelha que regressa
A luz de Damasco é um tombar do trigo, um cair
Do grão – cega tanto como os olhos
De um homem perseguido quando se volta
Para nós
A luz de Damasco golpeia. É circuncisão
Que abre, limpa, a luz de Damasco
É dura. Da dureza
Das pedras que um mártir junta com as mãos
Com que empedra o caminho para a morte. A luz
De Damasco é esse lume
Da oração de um mártir ao morrer.

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