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sábado, 22 de outubro de 2011

Só lhe resta o cão, ou talvez não

Talvez não se saiba mas o humor sadio é uma das marcas mais características de um bom Cristão. Esta realidade já foi referida neste blog no passado. Mas esta sua recordação só vem à mão devido a uma situação recentemente observada por um empregado de restaurante. Seja permitido relatá-la nesta ocasião.

Relata aquele funcionário que, quando um sacerdote estava a jantar com um outro homem no restaurante onde trabalha, ouviu mais do que um cliente a dizer "Só pode ser homossexual... a Igreja está cheia desses perversos e apenas impede o matrimónio para fomentar uma certa cultura gay". Dias depois, tendo aquele mesmo sacerdote ido jantar no mesmo local com uma mulher, os comentários ouvidos eram diferentes, mas o tom viperino persistia: "Está tudo perdido... agora nem escondem, das demais pessoas, as suas relações afectivas e sexuais que todos sabem que existem por todo o lado".

Preocupado com a situação, tal empregado de mesa acabou por se dirigir àquele sacerdote e referir-lhe o que se passava. Depois de umas palavras que relativizaram a mesma, o sacerdote acabou, com um grande humor certamente tão ferido quão impactante, por dizer "Em breve, e se quisesse evitar dar ocasião a essas maledicências, só poderia vir jantar aqui com o meu cão". Após um par de segundos a rir, o empregado, como se lembrasse de algo que já soubera muitíssimo bem, abanou a cabeça e, esquecendo-se do tom humorístico com que tais palavras foram proferidas, disse: "Não senhor padre... não queremos ofender os crentes muçulmanos para quem os cães de estimação são uma ofensa e devem ser mortos". Pode-se duvidar que isto seja verdade. Mas é (Bukhari, volume 4, livro 54, número 540). Assim talvez nem lhe reste o cão.

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