Do mestre incontestável de uma certa poesia neo-figurativa e, ao mesmo tempo, pós-inconformista Cristã, o tão padre sonhador quão poeta realista Tolentino Mendonça, aqui fica, nesta secção deste blog dedicada à poesia de odor Cristão, o tristemente inconformado Da verdade do amor. Que seja lido com o mesmo propósito com que foi escrito: o de chamar atenção, não para si, mas para o seu autor numa estreita relação de egoísmo domado.
Da verdade do amor
Da verdade do amor se meditam
relatos de viagens confissões
e sempre excede a vida
esse segredo que tanto desdém
guarda de ser dito
pouco importa em quantas derrotas
te lançou
as dores os naufrágios escondidos
com eles aprendeste a navegação
dos oceanos gelados
não se deve explicar demasiado cedo
atrás das coisas
o seu brilho cresce
sem rumor

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