Sabemos muitíssimo bem que o progresso tecnológico, em especial nas áreas dos transportes e comunicações, fizeram as nossas vidas mais confortáveis. Isso é totalmente inegável. Mas também fez as mesmas mais obstipadas e frenéticas. As nossas cidades maiores, e até menores, são um corrupio de barulho de onde o silêncio parece ter fugido. O desenvolvimento dos media e da NET fez-nos mais próximos de todos. Mas apenas virtualmente: sabemos, da manhã à noite, o que se passa do outro lado do mundo, mas ignoramos o nome de quem vive ao nosso lado.
Já há quem apenas consiga funcionar se estiver imerso em "música" -- se é que se pode chamar "música" a algumas das formas actuais de juntar sons -- e imagens pois a ausência destas desperta em si o medo do vazio. É como se uma dúvida os assistisse: Existirei se não ouvir mais nada senão a meu respirar? Junto com esta fobia do silêncio, vem a fobia da solidão -- mais "soledad" do que isolamento --.
Mas este contexto esvaziante e anestesiante do nosso silêncio interior já passou, por quem não sabe o que está a fazer a longo prazo, a ser um leitmotif do modo de ser crente nos nossos dias e, assim, encontramos quem só consegue rezar se uma musiquinha ou um textinho estiver a ser debitado nos seus ouvidos à medida que caminham no meio de estímulos visuais. Isto, deve-se arriscar a dizer mesmo que se pareça demodé, é um drama. Uma tragédia. De facto, quer o silêncio, quer a solidão, são, na sua vertente exterior e interior, o esteio da solidez espiritual. Só neles nos exprimimos na nossa nudez que acolhe a carinhosa roupagem comunicada pelo nosso Criador.

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