(b) Depois, o arcebispo belga diz que a SIDA é, talvez (palavra a que os senhores jornalistas não dão qualquer importância), uma forma de justiça imanente. Saberão os senhores jornalistas o que isto quer dizer? Não quer dizer que Deus (justiça transcendente) esteja a castigar os doentes com aquele flagelo. Isso é o que se deseja dar a entender na notícia, mas os factos não o corroboram. Deseja-se, isso sim, dizer que, sendo a sexualidade também um acto natural, todo o comportamento irresponsável a ela associado tem consequências graves igualmente a nível da natureza que podem (eis de novo o "talvez") estar, por exemplo, a sustentar a propagação da SIDA. Se tanta gente diz que as tragédias climáticas são uma forma da natureza se reequilibrar fazendo justiça aos exageros da actividade humana, nada mais de estão a dizer, por palavras menos rebuscadas e cultas, que «talvez os desastres ecológicos sejam uma forma imanente de justiça».
Mas alguém alguma vez veio dizer que estes senhores estão a demonizar as vítimas dos tornados, furacões ou saraivadas? Alguém veio dizer que se tratam de alarvidades insultuosas? Alguém o disse quando os dirigentes religiosos de outras religiões disseram, por exemplo, que os terramotos são consequência das mulheres andarem de mini-saia? E já agora, qual o motivo de não se dar tamanha importância aos textos fundantes de algumas religiões que, seguidos ainda hoje segundo o espírito em que foram escritos - e não o podendo deixar jamais de o ser -, apelam à morte de homossexuais? Quem demoniza quem? Eis ainda outra miopia voluntária grave que demoniza os Cristãos.

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