Pesquisar neste blogue

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Um mundo ateu

Estamos diante da emergência de uma primeira civilização ateia. Uma sociedade que prefere os lucros a curto termo em vez dos investimentos a um prazo mais dilatado, a facilidade à felicidade. Uma sociedade embebecida pelo orgulho que, mesmo nas esferas eclesiais, não se tem pejo em proclamar. O orgulho, este orgulho que é concomitante com uma radical descrença em Deus, é o daquele que se guia pela lógica da riqueza em direcção ao deixar de respeitar a contribuição da natureza, e dos demais, para a verdadeira edificação do mundo excepto quando aquela e aqueles lhe parecem uma outra fonte de lucro.

Mas isto leva, inexoravelmente, ao esgotar da vitalidade, da humanidade, da positividade. Ou seja: tendo-se querido substituir o espírito judaico-cristão que animava a civilização ocidental pela riqueza orgulhosa e o orgulho enriquecido que não é senão um sucedâneo daquele que nem é espiritual nem animante, acabou-se por se chegar a um vazio radical. Este vazio leva à dissolução das redes humanas, das redes de relação entre seres que ontologicamente são uma realidade corporativa e assim a desumanização assoma à realidade.

Desse modo, a fome humana conatural pela dimensão religiosa e espiritual leva, se dela nos deixarmos tornar conscientes, à busca um novo espírito onde ele se encontra. Mas estando esta civilização ateia num patamar de humanidade assaz basilar, encontramos-lo não nas propostas mais exigentes como as Cristãs, mas nas mais elementares, e por isso mais cativantes, que, por vezes, quase não elevam a humanização acima do mínimo.

Sem comentários: