Surgiu, há dois dias, no jornal "Público" mais um exemplo daquilo em que se têm tornado alguns media ditos ultra-progressistas e ultra-liberais - outros chamar-lhes-iam de "cristianofóbicos" -. Refiro-me à notícia referente a umas palavras de um arcebispo belga Católico, André Leonard, e ao editorial a estas dedicado que são um exemplo consumado de uma epidemia corrente nos dias de hoje: a miopia voluntária grave que demoniza os Cristãos.
André Leonard profere, segundo o "Público", três conjuntos de palavras tidas como inadmissíveis nos dias de hoje: «a anormalidade do comportamento homossexual (se deve) a um bloqueio verificado durante o desenvolvimento psicológico normal»; que a SIDA «talvez se trate de uma justiça imanente» e que aquela doença é uma «consequência de uma sexualidade livre entre adultos».
Pondo de lado a questão da homossexualidade, vou centrar, hoje e amanhã, a atenção nas palavras sobre a SIDA. E faço-o apenas por dois motivos: (1) ao facto da própria notícia centrar-se nesta questão tal como se pode ver pelo título da mesma; (2) ao facto de que, apesar da perspectiva Católica da homossexualidade ser uma das preferidas catapultas para todos os ódios contra a Igreja, a verdade é que as críticas, às palavras e acção da Igreja relativas à homossexualidade, quase sempre ignoram, numa miopia voluntária grave que demoniza os Cristãos, a diferença entre inclinação homossexual e comportamento homossexual que está, por sinal, na base daqueles pronunciamentos e daquela prática.
(a) Em primeiro lugar, e começando pelas últimas palavras, apenas tenho a dizer que, linhas antes de elas surgirem no livro de onde foram retiradas, o arcebispo belga diz: «o verdadeiro amor livre deve ser igualmente responsável, caso contrário não é livre nem, em consequência, é amor». Como é fácil citar fora de contexto para veicular um pretexto. Se se tivesse em consideração estas palavras voluntariamente omitidas, a mensagem de André Léonard, que deve saber destes assuntos mais do que qualquer jornalista do "Público", parece clara e incontestável: uma sexualidade apenas livre, e não igualmente responsável, dá origem a comportamentos de risco susceptíveis de perpetuar a transmissão da SIDA. Não se está a condenar a sexualidade livre, mas a advertir que aquela que não é também responsável alimenta o flagelo da SIDA.
Alguém duvida disso? Algum jornalista do "Público" que seja pai e mãe de família não educa os seus filhos para uma sexualidade sadia e responsável? Ou diz-lhes apenas "andai, sois livres, fazei, nas palavras de Correia, o truca-truca onde e quando quiserdes sem cuidado nenhum"? O facto de, tal como afirma o citado editorial, haver pessoas que são contaminadas pela SIDA «por via sexual sem se terem exposto a comportamentos de risco» não elimina a verdade radical daquelas palavras. E o querer dar a entender o reverso é como dizer que não é preciso, ou que é perigoso, alertar para os perigos da condução sem o uso do cinto de segurança apenas porque há pessoas que morrem em acidentes de viação mesmo usando cintos de segurança. E jamais a Igreja, como insinua o editorial, proíbe o uso de preservativo em toda e qualquer circunstância. Irresponsável, por outro lado, é querer negar que, de facto, o uso do preservativo não é solução (embora possa ser, como admite a Igreja, uma das soluções) para o combate à SIDA, pois inúmeras pessoas são infectadas por vias não sexuais. Eis outra miopia voluntária grave que demoniza os Cristãos.

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