Pesquisar neste blogue

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Poesia (16) | Daniel Faria - Todas as minhas fontes

Daniel Faria, que tão cedo nos deixou no meio de uma queda de amor algures a meio do seu fazer-se beneditino, já não é um desconhecido: cada vez mais pessoas lêem-no e anunciam-no. O fascínio da sua ainda patente imaturidade, também visível neste Todas as minhas fontes, é isso mesmo: um fascínio que, quando bem educado, apenas nos pode apontar para as origens do nosso ser.


Todas as minhas fontes

                Todas as minhas fontes vêm de ti
                As nascentes
                E amo-te com a constância do moribundo que respira
                Já sem saber de que lado o visita a morte

                Procuro a ligação entre ti e a luz muito miudinha depois dos temporais
                Entre a luz e os estilhaços das ruas bombardeadas
                Desconheço o colar onde unes tudo

                Procuro entender como é que moldas
                Os meus pés ao equilíbrio que os desloca no chão
                Sei que és tu que me levantas
                Que remendas o meu corpo cada dia

                Em ti encontro a pulsação
                Que rebenta - uma artéria como nunca
                Tinha jorrado. Cratera onde durmo
                Recluso, árvore à chuva
                Em dificuldade extrema
                De respiração
                
                Ponho a cabeça entre os ramos, lanço os braços para fora
                Como um pássaro entre um bando
                De disparos

                Tu moves as agulhas, tu unes de novo
                As minhas asas à curva do céu

Sem comentários: