Camões não requer apresentações e as apresentação não acrescentam nada a Camões. Mas com este poema que aqui hoje deixo, Dece do Céu imenso, atingimos uns doa mais singulares exemplos de uma poesia Cristã elaborada como se tratasse de um diálogo maiêutico acerca do aspecto central do Cristianismo: o intercâmbio divino-humano. Belo, vereis, como poucos.
Dece do Céu imenso
Dece do Céu imenso, Deus benino,
para encarnar na Virgem soberana.
“Porque dece divino em cousa humana?”
“Para subir o humano a ser Divino”.
“Pois como vem tão pobre e tão minino,
rendendo-se ao poder da mão tirana?”
“Porque vem receber morte inumana
para pagar de Adão o desatino”.
“Pois como? Adão e Eva o fruto comem
que por seu próprio Deus lhe foi vedado?”
“Si, por que o próprio ser de deuses tomem”.
“E por essa razão foi humanado?”
“Si. Porque foi com causa decretado,
se o homem quis ser deus, que Deus seja homem”.

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