Pesquisar neste blogue

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Brilhar no escuro

Nada de ostentação, nada de chamar a atenção ostensivamente para o que se faz, nada de se pôr como o umbigo do mundo. Tudo deve ser feito com conta, peso e medida tal como é criado, em cada instante, o Universo. Sobretudo deve ser feito de modo a poder germinar com plena fecundidade, com a mesma fecundidade enaltecida por Aquele que disse que o que fazemos deve ser feito sem daí desejarmos retirar alguma forma de reconhecimento público.

A maior visibilidade desta fecundidade, assim e paradoxalmente, é a nossa invisibilidade. É a lógica do amor, a lógica do grão: só debaixo da terra, invisível aos olhos do mundo, é que ele dá origem à espiga, essa sim, fecundamente visível para os demais. Só agindo numa lógica de incarnação, de entrada real nas circunstâncias de um mundo que nos levará à morte a todas as nossas seguranças, é que aquilo que fazemos adquire uma visibilidade que não se reporta a nós, mas Àquele que se dá, por nós e em nós, aos demais.

Quão mais desejamos ser reconhecidos, menos Este é conhecido: tornámo-nos opacos ao Criador, verdadeiro foco da fecundidade das nossas acções, e os demais apenas conseguem ver a nós. Deixamos de ser sinais que remetem para a origem da nossa vida e convertemo-nos em "buracos negros" que obscurecem a força gravitacional que sustém a nossa existência e a nossa operatividade: o amor divino. Desejamos que a nossa lâmpada - a nossa efectividade - brilhe para glória do Amor? Sustentemo-la e escoremo-la com a nossa discrição.

Sem comentários: