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segunda-feira, 27 de setembro de 2010

De trás para a frente

Somos todos ambiciosos. Nascemos assim: programados para, como as árvores, buscarmos a luz do sol mesmo que, se necessário for, à custa do que está ao nosso redor. Queremos viver reduzindo este a um mero sobreviver que arrasta consigo uma atitude de desconfiança, de prepotência, de coerção. Quem luta para estar à frente faz isso mesmo: luta e combate movido pela ambição concomitante da derrota dos demais a qualquer preço.

Contudo o pior talvez aconteça quando se lá está, isto é, quando se está na frente: não se olha "para trás", para os demais que passam, ainda mais, a serem considerados empecilhos para o estatuto vital e social que se adquiriu: tornam-se, assim, inimigos a dobrar - no duplo sentido desta palavra: a multiplicar por dois e a fazer curvar -. Mas inimigos invisíveis, ou seja, incapazes de se darem a ver como quem são e, assim, de os acolhermos para com eles se criar uma relação inter-pessoal que humaniza a realidade circundante.

O inverso é igualmente verdade e, na lógica do Evangelho, o mais correcto: só de trás para a frente se vê os demais, não se os estima como meros competidores e se pode colocar a vida à disposição dos mesmos para os servir com disponibilidade livre e alegre. Claro que estar atrás pode levar a ressentimentos e invejas, mas isso apenas porque ainda se está a pôr o assento tónico na ambição egocêntrica e não na autenticidade Cristã, na existência de mãos abertas e coração empático.

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