Erguendo-se como um cordão umbilical entre a criação e o Criador, está um enigmático objecto que se estende por toda aquele conferindo-lhe a sua própria estrutura de sustentação. Enigmático, sem dúvida, pois não nos deixa, comummente, ver o que o mesmo representa. Ficamos, devido a um somatório de causas mais ou menos articuladas entre si, apegados ao acessório e o essencial, esse inacessível aos olhos da face, passa-nos inadvertidamente ao lado.O esplendor do amor, assim, permanece oculto sob uma camada imensa de discrição e humildade que gera e alimenta a nossa liberdade. Nada de ostentação sedutora, mas quase um convite para seguirmos em frente passando a uma boa distância. Para se parar há que o desejar fazer. Para para e ver aquele esplendor é preciso querer forçar o olhar e estimular as íris do coração para penetrar nas brumas das aparências e deixar vir até nós, na cruz, a porta de ligação com o Outro nelas oculto a pedir a nossa compaixão que nos ressuscita.
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