Quem sou eu? Andamos sempre a correr de lado para lado apenas para não sermos capazes de ser. Desse modo não sabemos quem somos. Claro que podemos perguntar aos demais o que eles pensam sobre nós, mas nunca nos dirão o que quer que seja sobre a nossa interioridade, sobre a nossa autenticidade, pois esta não está em nós, mas neles e eles, por este mesmo motivo, não a deslindam. Somos um buraco vazio, um sifão que puxa tudo o que pode para disfarçar o que não consegue conhecer. Somos não o que somos, mas o que querem dizer que somos.E nesse caso acabamos sempre a carpir ou cantar o que somos aos demais como que a querer atraí-los para a nossa vacuidade de modo a, estando eles na mesma condição do que nós, nos sentirmos menos estranhos no nosso mundo. Mas a nossa intimidade não pode ser lascivamente exposta sem nos tornamos incapazes de a conhecer. Expondo-nos sem sabermos quem somos, acabamos por ser o que achamos que os demais querem que sejamos e, assim, não somos alguém, mas apenas algo.
Só se soubermos quem somos seremos pessoas livres: livres de nós e dos demais; livres da nossa opinião e da dos demais. Livres para sermos ainda mais autenticamente quem somos. No fundo, tudo isto passa por se estar atento às modulações de fundo do nosso potencial de amar, o nosso modo de sermos imagens do Deus que é Amor. Isso não se anuncia aos sete ventos, mas vive-se na discrição da humildade disponível.
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