Regressando à rubrica da apresentação de alguns livros que estimo verdadeiramente relevantes para os nossos dias, tenho o imenso gosto de me referir a uma pequena pérola francesa que infelizmente é comummente desconhecida, totalmente desconhecida, num Portugal onde as publicações de livros religiosos sucedem-se com critérios editoriais nem sempre facilmente descortináveis.
Refiro-me ao livro de François Brune, sacerdote da Companhia de Saint-Sulpice especialista em línguas antigas e estudos bíblicos bem como em temas de "confronto" como o esoterismo, Hélas! qu’avons-nous fait de Son Amour? Trata-se de um conjunto de mais de trezentas páginas em que somos confrontados com aquilo que, apesar de ser por demais evidente, raramente paramos para constatar, seja na sua existência, seja nas implicações desta: a Igreja, por diversos motivos que lançam as suas raízes num passado em que se estava mais preocupado com a manutenção do que com a evangelização, não consegue fazer passar a mensagem de que Deus é Amor e nada mais do que Amor.
Daqui, e quase que só daqui, é que surgem os imensos problemas que a Igreja parece acumular para aqueles que não a conhecem devidamente, mas antes a desejam percepcionar a partir dos critérios com que se medem as actividades das demais realidades. Para se inverter esta situação, o autor preconiza um regresso ousado às fontes mais autenticas da vida eclesial: a Bíblia e a Tradição. Não à Tradição composta por uma sucessão de áridos teólogos de "gabinete", mas à nutrida por aqueles que de um modo mais peculiar viveram Deus: os mestres da espiritualidade Cristã.

Sem comentários:
Enviar um comentário