Não o devemos ocultar até porque é uma das maiores constantes da vida. Não os vemos. Não os ouvimos. Não os acolhemos. Não os servimos. Não os humanizamos tornando-os pessoas. Passamos ao lado deles bem ao largo como que para não sermos contagiados por aquilo que eles são: uma denúncia do que somos.: almas desalmadas que somente os consideramos para confortar a dor, mais ou menos convencional, daquilo a que chamamos consciência, mas a que Deus chama "caixa de reverberação da minha voz".
São ainda um sinal de que o plano do Criador para a criação poderá falhar se continuarmos na nossa comodidade galopante que nos entorpece a cada instante. Mas o pior é que não lhes deixamos, sequer, ser aquilo que são: pobres, indigentes, necessitados. Retiramos-lhes esse epíteto para nos remetermos para o horizonte daqueles que não são recriminados por Cristo nos Evangelhos. Ocultamos a nossa realidade para nos disfarçarmos aos nossos olhos, já de si cegos por imensidades de ofuscam a verdade, e, num mesmo movimento de tenaz, furtar-lhes a identidade que nos poderia converter e humanizar.Desse modo até acumulamos bens - neste caso aquele designativo que roubamos a quem o carrega com autenticidade - empobrecendo-nos ficcionalmente para não escutarmos aquela "caixa de ressonância" que continuamente emite o som de que é aos indigentes que o Senhor da voz que nela vibra ama. Não devido a quem são eles, mas por ser Ele Quem é: Amor. Não basta, assim, dar-lhes um qualquer supérfluo barato, mas devemos começar por não lhes tirarmos o essencial que aos olhos de Deus é tão caro.
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