Ser pequeno é ser maior, é ser atento ao importante, é confiar naquele que, de facto, em nós confia. Ser pequeno é ver o mundo como o verdadeiro humilde o vê, isto é, de baixo para cima, colocando o valor e a altura da dignidade naquele que está diante de nós e não no nosso umbigo. Ser pequeno é estar atento ao invisível, ao que não ofusca a nossa atenção, mas discretamente solicita a nossa percepção. Ser pequeno é aceitar ser alvo do ridículo, do escárnio, da incompreensão que inevitavelmente acompanha a voz daqueles que se crêem a medida da verdade e da humanidade.
Ser pequeno é viver suspenso no momento presente, é viver na gota da eternidade que é o presente contínuo do Criador, do Deus-Amor que nos suscita a cada momento a partir do nada que somos sem Ele. Ser pequeno é ser maior: é perscrutar o mundo com os olhos bem abertos em busca dos veios e filões das suas potencialidades, das suas operatividades, das suas virtualidades que esperam, e desesperam, que as humanizemos com a nossa humanidade deposta nas mãos que nos aquecem em toda as circunstâncias.
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